💡 *MINUTINHO DA HISTÓRIA JUDAICA MODERNA*
O encerramento magistral da cerimônia fúnebre de Lindsay Graham, ontem na Washington National Cathedral foi ao som da “Fanfarra de Um Homem Comum”, do considerado principal compositor americano, Aaron Copland. Sim, era um compositor judeu e este é o momento para conhecer ou relembrar um pouco de sua história e perceber que ele não tinha nada a ver nem com Lindsay, nem com os Republicanos, nem com a Catedral. Isso é uma mostra de que uma música espetacular não tem ideologia.
*Aaron Copland: o judeu americano que compôs a Fanfarra do Homem Comum*
*Aaron Copland (1900-1990* ), um dos maiores compositores americanos do século XX, nasceu em Brooklyn, Nova York, filho de imigrantes judeus lituanos (o sobrenome original da família era *Kaplan* ). Seus pais saíram da Lituânia em meados dos anos 1890, e não tinham dinheiro para a passagem até os EUA. Conseguiram chegar até a Escócia, onde Harris Morris Kaplan, trabalhou por 3 anos para juntar dinheiro para o casal chegar a Nova Iorque. Lá, na Escócia, Harris anglicizou Kaplan, para Copland (e isso era muito comum para imigrantes de todas as religiões). Aaron só soube que seu sobrenome original era Kaplan, após os 70 anos de idades. Seus pais nunca lhe contaram.
Hoje pode ser esquisito imaginar que alguém iria escolher como sobrenome “Terra dos Policiais”, mas, certamente, Harris, falando lituano e talvez íidishe, não tinha ideia disso na última década do século 19, quando o termo “cop” para policial estava apenas no início de seu uso como gíria, basicamente em Londres. O termo vem do verbo inglês “to cop”, que desde pelo menos 1704 significa “pegar”, “agarrar”, “capturar” ou “prender”. Esse verbo provavelmente deriva do latim capere (“tomar, agarrar”). Um “cop” é, etimologicamente, “aquele que pega/prende” — uma gíria que nasceu na Inglaterra do século XIX e se espalhou para os Estados Unidos. Ou será que Harris usou o termo “íidiche kop” (literalmente “cabeça de judeu”), que é a forma dos judeus pensarem para resolveram questões, o que em minha opinião como autor, faz muito mais sentido? Nunca iremos saber. Usei o íidishe kop para chegar a esta conclusão…
Aaron cresceu numa família judaica conservadora, frequentou a sinagoga e fez bar mitzvah. O pai chegou a presidir a congregação.
*Na vida adulta, porém, Aaron Copland se afastou da prática religiosa. Tornou-se agnóstico e não se envolveu com a vida judaica formal* (nem com movimentos sionistas ou culturais seculares de forma contínua). Seu funeral foi não-religioso. A origem judaica ficou mais como marca cultural e de identidade do que como fé praticada.
Politicamente, *Copland era marxista* . Nos anos 1930, no clima da Grande Depressão, aproximou-se de causas socialistas e do chamado Popular Front. Apoiou candidatos e organizações de esquerda, escreveu para publicações ligadas ao partido comunista e defendeu posições favoráveis a eles em alguns momentos, embora nunca tenha se filiado oficialmente ao Partido Comunista.
Nos anos 1950, no auge do macarthismo, foi investigado pelo Comitê de Atividades Antiamericanas e sua música “Lincoln Portrait” foi retirada do concerto inaugural de Eisenhower. Mesmo assim, sua reputação se recuperou e ele recebeu altas honrarias oficiais depois.
Sobre a vida afetiva: *Aaron Copland era gay* e, para a época, relativamente aberto. Aceitou sua sexualidade cedo, manteve relacionamentos com homens (entre eles o fotógrafo Victor Kraft) e aparecia publicamente com parceiros, sem o disfarce total que muitos contemporâneos adotavam. Guardava privacidade, mas não vivia escondido.
Uma de suas obras mais icônicas é a “Fanfarra para um Homem Comum (Fanfare for the Common Man)”, de 1942. Encomendada pelo maestro Eugene Goossens para a Orquestra Sinfônica de Cincinnati durante a Segunda Guerra Mundial (como uma série de fanfarras patrióticas), Copland se inspirou no discurso do vice-presidente Henry A. Wallace, que falava no “Século do Homem Comum”. Em vez de homenagear soldados ou aviadores, Copland escolheu o cidadão ordinário — “quem fazia o trabalho sujo na guerra e no exército”, como ele próprio disse. Estreou em 12 de março de 1943 (próximo ao prazo do imposto de renda, o que ele achou bem apropriado). A peça, curta, poderosa e solene, para metais e percussão, virou um dos símbolos da música americana e foi depois incorporada à sua “Terceira Sinfonia”.
Copland, o filho de imigrantes judeus, agnóstico, de esquerda e gay, conseguiu criar uma trilha sonora que muitos consideram a própria voz da América democrática e popular. Uma ironia elegante e duradoura.
*Fique ligado. O @likudbrasil não tira os olhos do front.*
Quer receber notícias como essa em primeira mão? Entre no nosso grupo oficial: https://bit.ly/walikudbr
Conheça também nosso trabalho no YouTube: https://youtube.com/@likudbrasil?sub_confirmation=1







