Dia do Holocausto em 1965 no Rio de Janeiro

MINUTINHO DA HISTÓRIA JUDAICA MODERNA
Em 1965 comemorava-se os 20 anos do final da Segunda Guerra Mundial. Data marcante. E também o vigésimo Yom Hashoa, Dia do Holocausto. A cerimônia solene foi no Teatro Municipal lotado. Na foto e na mesa, da esquerda da foto para a direita: Milton Campos, o Ministro da Justiça e principal orador (infelizmente nunca consegui encontrar o texto), o prof, Fritz Feigel, químico austríaco de renome mundial que fugiu para o Brasil e foi o primeiro presidente da FSIRJ – Federação das Sociedades Israelitas do Rio de Janeiro (capital do Brasil em 1947), depois FIERJ; Adolpho Bloch, o icônico fundador da Manchete, e o rabino Henrique Lemle (Heinrich, rabino da reforma alemã que fugiu da Alemanha Nazista para Londres, lá obteve rápida cidadania inglesa e imigrou legalmente para o Brasil – foi o fundador da ARI-RJ).

Eu colorizei e modernizei esta foto e estou postando, pois para a maioria das pessoas, Fritz, Heinrich e Adolfo, são nomes na história, sem rostos.

Breve biografia de Fritz Feigel na área da química

Químico austríaco nascido em Viena em 1891, Fritz Feigl veio ao Brasil em 1940 após a anexação da Áustria pela Alemanha Nazista. Em 1920, Feigl concluiu seu doutorado na Universidade Técnica de Viena. Atuou em pesquisa em desenvolvimento de métodos analíticos mais simplificados e eficientes, com objetivo na pesquisa quantitativa.

Após se instalar no Brasil e tirar sua cidadania em 1944, Feigl se dedicou inteiramente a sua vida científica no Brasil. Foi contratado para fazer parte do corpo técnico do Laboratório da Produção Mineral (LPM), com o objetivo de criar um núcleo de microquímica na América do Sul e para desenvolver alguns estudos técnicos específicos.

Dentre suas pesquisas, destaca-se o “Papel de Feigl”, indicador universal de pH, que foi um de seus legados, no qual é possível saber o pH de uma solução, quando ocorre uma mudança na cor do papel, após ser embebido nela, o que facilita até hoje a medição em análises químicas, conseguindo identificar o pH apenas com um papel. Outro marco, foi a produção de cafeína a partir dos extratos de café concentrados, que colaborou na produção de Coca-Cola. Por fim, a solubilização do fosfato contido na bauxita fosforosa brasileira do Maranhão, para produção de fertilizante em 1946.

Feigl foi referência na área da química analítica por meio de suas obras, dentre elas se destacam o livro “Testes de Mancha na Análise Inorgânica”, publicado em 1937, e o livro “Química de Reações Específicas”, publicado em 1949. Criador da análise de toque, uma técnica que simplifica as provas analíticas, que levaram a elaborar conceitos de sensibilidade, especificidade e seletividade, rigorosamente definidos. Durante seus processos analíticos, conseguiu chegar a novos compostos e reações químicas importantes na Química dos Complexos e na Físico-Química.

Veio a falecer em 1971, deixando uma honrosa obra com centenas de trabalhos próprios.

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