Parashiot Tazria e Metzorá
Olá, Shabbat Shalom. Bem-vindo a mais uma Parashah HaShavua do Likud do Brasil. Esta semana uma conexão especial com o Yom HaTzmaut, o Dia da Independência do Israel, que vai ser celebrado durante esse meio dessa semana.
Hoje nós vamos olhar para uma das conexões mais profundas entre a Torah e a história moderna do povo judeu. Porque às vezes a Parashah da Semana não fala apenas de leis antigas. Ela descreve processos que continuam acontecendo na nossa história.
E quando a gente lê Tazria e Metsorá das Parashiot, que a gente lê essa semana, e coloca isso ao lado do Yom HaTzmaut, o Dia da Independência do Estado do Israel, algo muito profundo aparece. A pergunta é, será que a Torah já descrevia em linguagem espiritual o que significa um povo saído do exílio e voltar a nascer como uma nação? Vamos começar do início. A Parashah de Tazria começa com uma ideia simples.
Quando uma mulher concebe e dá à luz, em termos simples, Tazria fala sobre o processo de nascimento, trazer vida ao mundo. Mas a Torah não está falando só de biologia. Ela está falando de algo mais profundo, o surgimento da vida, o início de um processo que ainda não é visível, algo que começa escondido e depois aparece no mundo.
Tazria é o início da vida, emergindo da ocultação. Agora vem Metsorá. Metsorá é uma das ideias mais difíceis da Torah de entender, quando você não tem contexto.
Na Parashah Metsorá, a Torah fala de uma pessoa que desenvolve uma condição chamada tsarat, muitas vezes traduzida como lepra, mas não é uma doença comum. Ela aparece no corpo, nas roupas e até nas casas, onde a gente conecta mais com psaríSE. E o mais importante, a pessoa precisa sair do acampamento, viver isolada, fora do campo, do acampamento.
Agora os sábios explicam algo muito profundo. No Talmud Arachim 15b, tsarat está ligado à fala negativa, Lshon Har, ou seja, Metsorá não é apenas uma condição física, é um estado espiritual de desconexão. Desconexão da comunidade, desconexão da fala correta, desconexão da vida social.
O Metsorá vive fora do campo, fora da coletividade, totalmente isolado. Agora vamos juntar tudo. Tazeria fala de nascimento, Metsorá fala de isolamento.
E aqui começa a conexão com a história do povo judeu. Porque se olharmos historicamente, o exílio foi exatamente um estado de Metsorá coletivo, sem terra, sem soberania, espalhados, muitas vezes isolados entre as nações. E ao mesmo tempo uma identidade preservada, mas fragmentada.
Em 1948, algo aconteceu que é difícil descrever apenas politicamente. O povo judeu isso conecta profundamente com a ideia de tazeria, nascimento. Mas aqui está o ponto mais forte, o nascimento não veio do nada, ele vem depois de um estado prolongado de Metsorá histórico.
O profeta Ezequiel descreve a redenção assim, Ezequiel 37, profecia do vale dos ossos secos, ossos se juntando, tendões, carne, vida voltando. Os comentaristas explicam, isso não é só uma ressurreição espiritual individual, contando aquela história dos ossos secos, ela trata da reconstrução nacional. O Ranbam e outros comentaristas mostram que as profecias de retorno à terra de Israel são literais e históricas.
E o Rav Kook escreve algo ainda mais profundo. Rav Kook no seu livro Orot, a redenção de Israel começa não apenas no espiritual, mas no retorno da vida nacional ao seu lugar natural. Existe mais um detalhe muito forte, Metsorá está ligado a fala, como a gente disse, Talmud Arachim 15B, porque o Metsorá muitas vezes representa alguém que perdeu a medida da fala, como se usa a fala.
Agora pense, durante séculos de exílio, o povo judeu não tinha voz política, não tinha soberania, não tinha controle sobre sua própria narrativa no mundo. Era um povo que existia, mas não falava como nação, definitivamente. Com o estado de Israel, algo muda, o hebraico volta a ser língua viva, o povo volta a ter voz diplomática, volta a se posicionar como sujeito da história.
Isso é profundamente simbólico, é como se o silêncio histórico tivesse terminado. Agora, podemos juntar tudo, Tazria, nascimento, Metsorá, isolamento e desconexão, Geulá, retorno e reconstrução e Yom HaTzmaut, nascimento nacional moderno de Israel. E a Torá nos mostra um padrão, queda não é o fim, isolamento não é definitivo, reconstrução é possível, nascimento pode acontecer novamente.
Talvez, Yom HaTzmaut não seja apenas um evento político, talvez seja a realização histórica de um princípio espiritual descrito na Torá, que aquilo que parece fora do campo pode voltar ao centro, que aquilo que parece fragmentado pode se reconstruir e que aquilo que parecia encerrado pode nascer novamente. Tazria, nascimento, Metsorá, reconstrução após desconexão, Geulá, retorno e identidade e Yom HaTzmaut, nascimento do povo em sua terra. E talvez seja essa mensagem mais profunda, o povo de Israel não apenas sobrevive, ele renasce.
Shabbat Shalom a todo mundo, mais uma vez, desejando a todo mundo um Shabbat e um Chodesh Yahr, que começou agora, na sexta-feira, muito bom, Chodesh Tov, e que todos possam celebrar o Shabbat em Yom HaTzmaut com muita alegria essa semana.
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